Endo

Artigo científico Comentado

O Papel da Metilação do DNA na Fisiopatologia e Possível Diagnóstico da Endometriose

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

Systematic review on the DNA methylation role in endometriosis: current evidence and perspectives

Autores e referência: Ducreux B, Patrat C, Firmin J, Ferreux L, Chapron C, Marcellin L, Parpex G, Bourdon M, Vaiman D, Santulli P, Fauque P
Ano: 2025
DOI: 10.1186/s13148-025-01828-w

Tema clínico principal: O papel da metilação do DNA na fisiopatologia e possível diagnóstico da endometriose

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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1. Resumo Científico Objetivo

Revisão sistemática de 70 estudos sobre metilação do DNA em pacientes com endometriose, divididos entre estudos de genes-alvo e epigenoma completo. O artigo aponta que a metilação do DNA está alterada em tecidos eutópicos e ectópicos, podendo atuar como marcador biológico e contribuir para a patogênese da doença.

2. Fisiopatologia detalhada

A metilação do DNA altera a expressão de genes críticos em processos como proliferação celular, diferenciação, adesão, apoptose e resposta hormonal. As alterações ocorrem especialmente em tecidos ectópicos e podem ser fundamentais para o desenvolvimento e manutenção das lesões endometrióticas.

3. Mecanismos moleculares envolvidos

Genes e vias moleculares afetadas incluem:

    • Vias PI3K-Akt, Wnt e MAPK
    • Fatores de transcrição HOXA10, PGR, ESR1, ESR2
    • Genes de adesão celular (CDH1, GRHL2)
    • Genes supressores tumorais (RASSF1A, GSTM1)
    • Regulação hormonal (NR5A1, CYP19A1)
    • Genes do sistema imune (IL-12B)

    4. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela

    “A epigenética tem se mostrado um divisor de águas na compreensão da endometriose. Este artigo nos oferece uma visão robusta sobre o papel da metilação do DNA no desenvolvimento da doença. Destaco que as alterações não são generalizadas em todos os tecidos eutópicos, mas sim focadas nos tecidos ectópicos — isso pode nos direcionar para biomarcadores mais específicos e para terapias-alvo. Ainda não há consenso sobre um marcador universal, mas a recorrência de vias afetadas indica um padrão.”

    5. Reflexão para o leitor

    Como médicos voltados à prática baseada em evidências, é fundamental nos atualizarmos sobre mecanismos epigenéticos, que podem redefinir diagnóstico e tratamento da endometriose. Será que estamos próximos de usar testes de metilação para diagnóstico precoce?

    6. Aplicações Práticas

    • Potencial uso de perfis de metilação como biomarcadores diagnósticos (ainda em investigação)
    • Identificação de alvos terapêuticos, como enzimas metiltransferases e genes como HOXA10 e PGRB
    • Possível uso de moduladores epigenéticos no tratamento futuro da endometriose

    7. Referência Completa

    Ducreux B, et al. Systematic review on the DNA methylation role in endometriosis: current evidence and perspectives. Clinical Epigenetics. 2025;17:32. DOI: 10.1186/s13148-025-01828-w


    Neri, L.C.L.; Quintiero, F.; Fiorini, S.; Guglielmetti, M.; Ferraro, O.E.; Tagliabue, A.; Gardella, B.; Ferraris, C. Diet and Endometriosis: An Umbrella Review. Foods 2025, 14, 2087. https://doi.org/10.3390/foods14122087

    Este material faz parte do movimento ENDOctors – The Meetings, e a troca entre colegas é parte essencial da nossa evolução como médicos. Se quiser compartilhar sua experiência, uma dúvida ou ponto de vista sobre este tema, envie sua mensagem no grupo — será muito bem-vinda!

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    Quem está por trás do ENDOctors?

    A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

    • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
    • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
    • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
    • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
    • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
    • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
    • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
    • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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