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Artigo científico Comentado

Nutrição como terapia na endometriose: o que a ciência já mostra

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

Endometriosis and Nutrition: Therapeutic Perspectives

Autores e referência: Francesco Giuseppe Martire, Eugenia Costantini, Claudia d’Abate, Giovanni Capria, Emilio Piccione, Angela Andreoli.
Ano: 2025
DOI: 10.3390/jcm14113987

Tema clínico principal: Nutrição como estratégia terapêutica complementar na endometriose

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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1. Resumo Científico Objetivo

Revisão narrativa de 174 estudos avaliando o papel da dieta na endometriose. O trabalho explora mecanismos inflamatórios, metabólicos e hormonais influenciados pela nutrição, e sugere intervenções dietéticas como estratégias complementares no manejo de dor, infertilidade, sintomas gastrointestinais e prevenção de recidivas.

2. Fisiopatologia detalhada

A endometriose é uma doença inflamatória crônica e estrogênio-dependente. O estresse oxidativo, a disfunção imunológica (macrófagos ativados, TNF-α) e a angiogênese sustentam as lesões endometrióticas. A nutrição pode modular esses processos por meio da microbiota intestinal, metabolismo de estrogênio e produção de citocinas.

3. Mecanismos moleculares envolvidos

  • PUFAs (Ômega-3): efeito anti-inflamatório via redução de prostaglandinas pró-inflamatórias.
  • Vitaminas C e E: reduzem estresse oxidativo e inflamação, melhorando dor pélvica e fertilidade.
  • Resveratrol: inibe angiogênese e proliferação celular.
  • Polifenóis e fitonutrientes: neutralizam ROS e modulam NF-κB e COX.
  • Fibras e microbiota: aumentam ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), reduzindo inflamação intestinal.
  • Vitamina D: regula TLR2/4 e reduz resposta inflamatória.

4. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela

Este artigo traz uma visão prática: a dieta pode atuar como um “tratamento de base” em pacientes que não toleram ou não desejam terapias hormonais. Os dados sugerem melhora clínica em dor pélvica, sintomas gastrointestinais e até impacto positivo em fertilidade. A integração de estratégias como dieta mediterrânea, suplementação antioxidante e ajuste de gorduras pode potencializar os resultados clínicos.

Reflexão para o leitor:
Você já incorporou a abordagem nutricional como parte do manejo multidisciplinar da endometriose? A nutrição funcional pode ser a chave para uma evolução mais sustentável e com menos dependência medicamentosa.

5. Aplicações Práticas

  • Reduzir: carnes vermelhas, alimentos processados, gorduras trans, açúcares simples.
  • Aumentar: frutas, vegetais, fibras, ômega-3 (peixes, sementes), polifenóis (frutas vermelhas, chá verde), vitamina D.
  • Estratégias específicas: dieta low-FODMAP para sintomas gastrointestinais; suplementação de antioxidantes (C + E) para dor; uso de resveratrol e cúrcuma como coadjuvantes.

6. Fórmula Magistral

  • Vitamina C 500 mg + Vitamina E 400 UI (em estudos clínicos, redução de dor e estresse oxidativo)
  • Resveratrol 30–60 mg/dia (ainda em estudos clínicos)
    (cabe ressaltar que o artigo menciona esses compostos como potenciais intervenções, não como protocolos padronizados)

7. Intervenções Integrativas Complementares

  • Dieta Mediterrânea (rica em antioxidantes e anti-inflamatórios)
  • Low-FODMAP em pacientes com endometriose + sintomas de intestino irritável
  • Suplementação direcionada (Vitamina D, Ômega-3, polifenóis)

Referência Completa:

Martire FG, Costantini E, d’Abate C, Capria G, Piccione E, Andreoli A. Endometriosis and Nutrition: Therapeutic Perspectives. J Clin Med. 2025;14(11):3987. doi:10.3390/jcm14113987

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Quem está por trás do ENDOctors?

A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

  • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
  • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
  • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
  • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
  • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
  • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
  • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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