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Artigo científico Comentado

Novos insights sobre o papel do biofilme de Candida na patogênese da candidíase vulvovaginal recorrente: um estudo clínico prospectivo

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

New insights in the role of Candida biofilm in the pathogenesis of recurrent vulvovaginal candidiasis: a prospective clinical study

Autores e referência: Díaz-Navarro M, Irigoyen-von-Sierakowski Á, Delcán I, Monte A, Palomo M, Escribano P, Guinea J, Burillo A, Galar A, Muñoz P, Guembe M
Ano: 2025
DOI: 10.3389/fmicb.2025.1566171

Tema clínico principal: Candida spp., biofilme, candidíase vulvovaginal recorrente (RVVC), falha terapêutica

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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  1. Resumo Científico Objetivo
    O estudo analisou a produção de biofilme e sua associação com a recorrência da candidíase vulvovaginal (VVC) em 271 pacientes. Isolados clínicos foram avaliados quanto à biomassa, atividade metabólica e área ocupada pelo biofilme.
  2. Fisiopatologia detalhada
    A candidíase vulvovaginal recorrente é o resultado de múltiplos fatores patológicos. Há um desequilíbrio entre o hospedeiro, a microbiota vaginal e o fungo Candida, muitas vezes desencadeado por antibióticos, contraceptivos, alterações hormonais e predisposição genética.
    O sistema imune local pode ser deficiente (favorecendo a proliferação fúngica) ou exagerado (levando a inflamação desproporcional), ambos contribuindo para a sintomatologia. Além disso, alterações em genes como NLRP3 podem interferir na imunidade inata, facilitando infecções persistentes.
  3. Mecanismos moleculares envolvidos
    O biofilme de Candida é uma estrutura complexa composta por leveduras, hifas e matriz extracelular. No contexto da RVVC:
  • Maior biomassa: os isolados da RVVC mostraram produção significativamente maior de biomassa (CV), conferindo maior espessura e aderência.
  • Menor atividade metabólica: os fungos em biofilme tendem a um estado metabolicamente inativo (dormência), o que reduz a eficácia dos antifúngicos, que geralmente atuam sobre células ativamente replicantes.
  • Células persistentes: dentro do biofilme, há subpopulações chamadas persister cells, que resistem ao tratamento e podem reativar a infecção posteriormente.
  • Variação morfológica: Candida albicans forma mais hifas, enquanto C. glabrata tem maior densidade e matriz, conferindo diferentes resistências.
    Essa estrutura biofilme age como uma barreira física e química contra antifúngicos e contra o sistema imune.
  1. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela
    Este estudo reforça um conceito crítico: a recorrência da VVC muitas vezes não é apenas reinfecção, mas falha em erradicar biofilmes persistentes. A abordagem clínica deve considerar mecanismos de evasão, como dormência e matriz protetora, além de fatores do hospedeiro. O rastreio de biofilme pode orientar terapias prolongadas, probióticas ou disruptivas da matriz fúngica.

Reflexão para o leitor:
Estamos prontos para diferenciar infecção de colonização resistente por biofilmes em nossos consultórios?

  1. Aplicações Práticas
  • A quantificação de biofilme pode ser usada como marcador de risco para recorrência e falha terapêutica.
  • Terapias antifúngicas prolongadas e/ou combinadas podem ser necessárias.
  • Avaliar o uso de probióticos e modulação da microbiota vaginal como estratégia complementar.

📎 Referência Completa
Díaz-Navarro M, et al. New insights in the role of Candida biofilm in the pathogenesis of recurrent vulvovaginal candidiasis: a prospective clinical study. Front Microbiol. 2025;16:1566171. doi: 10.3389/fmicb.2025.1566171

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Quem está por trás do ENDOctors?

A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

  • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
  • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
  • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
  • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
  • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
  • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
  • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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