Endo

Artigo científico Comentado

Qualidade oocitária em mulheres com endometriose

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

Oocyte Quality in Women with Endometriosis

Autores e referência: Rafael Trinchant, Juan Antonio García-Velasco
Ano: 2025
DOI: 10.1159/000541615

Tema clínico principal: Impacto da endometriose na qualidade oocitária e nos desfechos de fertilização in vitro (FIV)

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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1. Resumo Científico Objetivo

Revisão narrativa que explora como a endometriose afeta a qualidade dos oócitos, potencialmente reduzindo a taxa de fertilização, desenvolvimento embrionário e sucesso gestacional. Alguns estudos sugerem que, controlando idade e reserva ovariana, os resultados da FIV podem ser semelhantes aos de mulheres sem endometriose.

2. Fisiopatologia detalhada

A endometriose cria um microambiente ovariano inflamatório e estressante, com presença de citocinas inflamatórias, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial, especialmente em células da granulosa, comprometendo a competência oocitária.

3. Mecanismos moleculares envolvidos

A doença altera a expressão gênica relacionada à apoptose, estresse oxidativo, produção hormonal e fragmentação de DNA nos oócitos. Tais alterações moleculares comprometem a meiose, nutrição oocitária e ovulação, afetando o potencial de desenvolvimento embrionário.

4. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela

A utilização de IA para avaliação morfológica traz uma nova camada objetiva à análise da qualidade oocitária. Os dados ainda são inconclusivos quanto ao real impacto da endometriose sobre a competência do oócito, sendo essencial diferenciar o efeito da adenomiose. A medicina reprodutiva se beneficia de tecnologias que ajudam na tomada de decisão mais precisa.

Complemento prático – Análise de casos clínicos com IA

📌 Paciente CPS, 33 anos, com histórico de cirurgia pregressa para ooforoplastia unilateral por endometrioma de ovário e ressecção de focos de endometriose. Classificação AAGL – endometriose GRAU III

 Avaliação com IA MAGENTA para oócitos

Interpretação: O perfil mostra ampla variabilidade na qualidade oocitária, com apenas 1 oócito com boa perspectiva de desenvolvimento, sugerindo impacto potencial sobre o prognóstico.

Total de oócitos avaliados: 6

Distribuição da pontuação (0 a 10):

  • 1 oócito com 8.4 (alta chance de virar blastocisto – 56,8%)
  • 1 oócito com 4.6
  • 1 com 3.2

3 oócitos com pontuações baixas (1 a 1.6 – menor chance de sucesso: 18,3%)

📌 Paciente IB,28 anos com diagnóstico de endometriose GRAU I (Classificação AAGL) e falência ovariana prematura.

Avaliação com IA VIOLET para oócitos

  • Total de oócitos avaliados: 4
  • Probabilidade de obtenção de pelo menos 1 blastocisto: 83%
  • Probabilidade de pelo menos 1 embrião euploide: 64%
  • Probabilidade de ao menos 1 nascido vivo: 30%, dentro da média para idade de 28 anos.
  • Interpretação: Apesar de um número moderado de óvulos, a qualidade estimada é positiva, com boas chances de sucesso reprodutivo.

Reflexão para o leitor

Ferramentas baseadas em IA (MAGENTA & VIOLET) permite avaliação personalizada do potencial dos oócitos, auxiliando no aconselhamento clínico e na definição de estratégias de preservação da fertilidade?

5. Aplicações Práticas

  • Estímulo à preservação de fertilidade antes de cirurgias ovarianas.
  • Utilização de protocolos personalizados de estimulação ovariana.
  • Adoção de tecnologias como IA na análise morfológica oocitária.
  • Considerar adenomiose como possível fator de falha de implantação.

📎 Referência Completa
Trinchant R, García-Velasco JA. Oocyte Quality in Women with Endometriosis. Gynecol Obstet Invest. 2025;90:173–181. DOI: 10.1159/000541615

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Quem está por trás do ENDOctors?

A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

  • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
  • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
  • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
  • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
  • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
  • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
  • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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