Endo

Artigo científico Comentado

Endometriose: uma visão imunológica

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

Endometriosis: An Immunologist’s Perspective

Autores e referência: Jenny Valentina Garmendia, Claudia Valentina De Sanctis, Marian Hajdúch, Juan Bautista De Sanctis
Ano: 2025
DOI: https://doi.org/10.3390/ijms26115193

Tema clínico principal: Visão imunológica da endometriose: inflamação, citocinas, imunidade inata e adaptativa, microbiota, dor e potencial terapêutico de abordagens imunomoduladoras.

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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1. Resumo Científico Objetivo

Revisão abrangente sobre a endometriose sob a ótica imunológica, enfatizando alterações de células imunes, citocinas, vias inflamatórias, papel da microbiota, vesículas extracelulares, mecanismos moleculares e potenciais terapias alvo. Aborda também ligação com dor crônica, infertilidade, doenças autoimunes e câncer ovariano.

2. Fisiopatologia detalhada

  • Inflamação crônica sistêmica: A endometriose apresenta uma assinatura inflamatória persistente, com produção elevada de citocinas, prostaglandinas, radicais livres e vesículas extracelulares.
  • Infiltração celular: Há presença de macrófagos, células dendríticas, mastócitos, neutrófilos, NK, células T (Th1 no início, Th2 nos estágios avançados) e Tregs.
  • Atividade estrogênica aumentada: A inflamação estimula expressão de aromatase e receptores estrogênicos β, mantendo um ciclo de ativação imune e crescimento de lesões.
  • Desbalanço neuroimune: Aumento da densidade de fibras nervosas sensoriais em lesões ectópicas, e redução de fibras simpáticas — contribuindo para dor e hipersensibilidade central.
  • Associação com doenças autoimunes e câncer ovariano: Endometriose compartilha vias inflamatórias, mutações somáticas (ex: ARID1A, PTEN) e alterações epigenéticas com doenças autoimunes e carcinogênese.

3. Mecanismos moleculares envolvidos

  • Citocinas pró-inflamatórias e angiogênicas (IL-1β, IL-6, TNF-α, VEGF): promovem dor, adesão celular e proliferação.
  • Microambiente imunossupressor: aumento de células Treg, IL-10, IL-35 e MDSCs (células supressoras mieloides), que inibem vigilância imune e favorecem crescimento da lesão.
  • Alterações genéticas/epigenéticas: mutações em K-RAS, ARID1A, PTEN e alterações em microRNAs (Let-7, miR-122, miR-199a, miR-451a) afetam proliferação, apoptose e inflamação.
  • Vesículas extracelulares (EVs): exossomos carregam proteínas, microRNAs e ligantes que inibem a função de células NK, aumentam angiogênese e fibrose.
  • Microbiota intestinal e genital: desequilíbrios na composição microbiana alteram metabolismo estrogênico (via β-glucuronidase) e ativam inflamação via TLRs, influenciando a severidade da doença.

4. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela

Este artigo entrega um panorama robusto sobre o papel da imunidade na endometriose. A leitura nos convida a enxergar a doença não apenas como ginecológica, mas como uma síndrome sistêmica neuroimunoendócrina. Com base nessas evidências, é essencial que o clínico considere alvos terapêuticos além dos hormonais — como imunomodulação, probióticos, anti-inflamatórios específicos e até mesmo modulação epigenética. A integração com a imunologia de precisão será o próximo passo para manejo individualizado.

5. Reflexão para o leitor

Você já considerou o perfil imunológico de suas pacientes com endometriose? O uso de imunomoduladores, dietas anti-inflamatórias, ou mesmo abordagem integrativa fazem parte da sua conduta clínica atual?

6. Aplicações Práticas

  • Testar marcadores inflamatórios sistêmicos pode ajudar na estratificação de risco e resposta terapêutica.
  • Modulação da microbiota com dieta e probióticos pode ter efeito imunorregulador e analgésico.
  • Potencial uso de anticorpos anti-citocinas (anti-TNF, anti-IL-6) como terapias futuras em casos refratários.
  • Intervenções com canabinoides, resolvinas, lipoxinas e moduladores epigenéticos estão em investigação.
  • Acompanhar pacientes com endometriose grave por risco de doenças autoimunes e câncer ovariano.

7. Intervenções Integrativas Complementares

  • Dieta anti-inflamatória e microbiota-oriented (ex: FODMAP, rica em fibras e prebióticos)
  • Probióticos com Lactobacillus spp., Bifidobacterium
  • Suplementação com PEA, ômega-3 e antioxidantes naturais (resveratrol, cúrcuma)
  • Estratégias de redução de estresse e modulação do eixo HPA (mindfulness, acupuntura, CBT)

8. Referência Completa

Garmendia JV et al. Endometriosis: An Immunologist’s Perspective. Int. J. Mol. Sci. 2025, 26, 5193. https://doi.org/10.3390/ijms26115193


Neri, L.C.L.; Quintiero, F.; Fiorini, S.; Guglielmetti, M.; Ferraro, O.E.; Tagliabue, A.; Gardella, B.; Ferraris, C. Diet and Endometriosis: An Umbrella Review. Foods 2025, 14, 2087. https://doi.org/10.3390/foods14122087

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Quem está por trás do ENDOctors?

A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

  • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
  • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
  • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
  • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
  • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
  • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
  • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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