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Artigo científico Comentado

Saúde do Microbioma e Doenças: precisamos expandir esse conceito?

Dra. Graciela Morgado CRM/SP 122.379 | RQE 560631 | RQE 56063

Artigo original:

Health of the Microbiome and Disease: A Call for an Expansion of the Definition of Microbiome Health

Autores e referência: Rachel Netherton et al.
Ano: 2023
DOI: 10.1016/j.chom.2023.07.015

Comentado por: Dra. Graciela Morgado
CRM/SP 122.379 | RQE 540631 | RQE 540632

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1. Resumo Científico Objetivo

O artigo propõe um novo paradigma para avaliar a saúde do microbioma humano. Tradicionalmente, associações entre microbioma e doenças são baseadas em medidas como diversidade ou abundância de determinadas espécies. Os autores argumentam que isso é insuficiente, sugerindo uma nova abordagem que priorize:

  • Estabilidade funcional
  • Resiliência do ecossistema microbioma
  • Capacidade de suporte à saúde do hospedeiro

Eles enfatizam que um microbioma saudável não é necessariamente um que contenha “bactérias boas”, mas sim aquele que consegue se adaptar e manter funções benéficas.


2. Fisiopatologia Detalhada

A disbiose — desequilíbrio na composição e função da microbiota — está associada a várias condições:

  • Doenças inflamatórias intestinais
  • Obesidade e síndrome metabólica
  • Distúrbios neuropsiquiátricos (ex.: depressão, autismo)
  • Doenças autoimunes
  • Câncer

O artigo destaca que a mesma composição microbiana pode ter efeitos distintos em pessoas diferentes, dependendo do contexto imunológico, genético e ambiental do hospedeiro. Portanto, a patogênese microbiana não pode ser dissociada de sua função metabólica e imunológica no ecossistema intestinal.


3. Mecanismos Moleculares Envolvidos

  • Metabólitos microbianos: ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como butirato, modulam a inflamação e a integridade da barreira intestinal.
  • Modulação epigenética: genes humanos são regulados por compostos produzidos pelas bactérias intestinais.
  • Barreira epitelial: a microbiota influencia a produção de muco, a junção entre células e a resistência à invasão por patógenos.
  • Interação neuroimune: o eixo intestino-cérebro é mediado por neurotransmissores bacterianos e modulação imune periférica.

4. Análise Comentário Clínico da Dra. Graciela

A mudança de foco para a função e resiliência do microbioma é muito bem-vinda na prática clínica. Muitos testes hoje tentam “corrigir” perfis de microbioma com base em listas genéricas de bactérias “boas” ou “ruins”, mas esse conceito pode ser ultrapassado. Compreender a capacidade funcional e adaptativa do microbioma pode ajudar a planejar terapias mais eficazes e individualizadas — incluindo intervenções dietéticas, uso racional de probióticos, e cuidados com uso de antibióticos.


5. Aplicações Práticas

  • Avaliações funcionais do microbioma devem ser priorizadas em vez de apenas taxonômicas.
  • Intervenções como dieta personalizada, prebióticos, probióticos e até transplante de microbiota fecal devem considerar a resiliência e a capacidade adaptativa da microbiota.
  • O conceito pode ajudar a redefinir protocolos de restauração pós-antibiótico ou suporte durante terapias imunossupressoras.

6. Intervenções Integrativas Complementares

✅ O artigo destaca que dieta rica em fibras, diversidade alimentar, prática regular de exercícios físicos e contato com ambientes naturais são fatores positivos comprovados para a promoção da saúde microbiana.
✅ Sugere que intervenções devem ter como objetivo o fortalecimento da resiliência ecológica do microbioma.


📎 Referência Completa
Netherton R, et al. Health of the Microbiome and Disease: A Call for an Expansion of the Definition of Microbiome Health. Cell Host Microbe. 2023;31(10):1457-1467. DOI: 10.1016/j.chom.2023.07.015


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Quem está por trás do ENDOctors?

A Dra. Graciela Morgado (CRM/SP 122.379) é ginecologista com ampla experiência em Endometriose, Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva.

  • Fundadora da Clínica EndoMater, referência em saúde integrativa da mulher;
  • Idealizadora do EndoExperience, um projeto de educação científica voltado à conscientização e atualização sobre endometriose; 
  • Head de cursos digitais para o público leigo, como Abordagem Funcional Integrativa da Endometriose e Adenomiose e Sexo com Prazer, que unem ciência, empoderamento feminino e saúde sexual;
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia RQE 540630;
  • Especialista em Endoscopia Ginecológica RQE 540631;
  • Especialista em Reprodução Humana RQE 540632;
  • Pós-graduação em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês;
  • MBA em Gestão de Clínica Médica pela FGV.

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